TRAUM
Impacto cruel
com que rejeito...
Ciente á tempos
do ninho frio.
Prole em hora errada,
O ar era-me raro
o pouco ressentia a água ardente
Ardente eram as lágrimas
que vertiam daquela que dava- me o colostro
Amargava minha garganta
e tão sórdida mente meu coração.
Crescia desenfreada mente
pois o amanhã era me um peso
Adolescência protegida pela doce inocência
este era o meu mundo e até então me bastava
Na juventude,
o choque inevitável da visão
meu mundo era um
num milhão...
E aos meus olhos agora
o mais feio
entre os belos
recendeu na garganta
amargura
e queimou em meus pulmões
aquele ar raro e pérfido!
Sem escapatória
me veio de repentina,
não como a brisa,
mas como um tufão,
a vil percepção.
Hoje, em minha velhice
infância e demais lembranças
saboreio alheias...
E as minhas?
Recrio-as, passeando
entre as portas da imaginação
das quais as chaves
encontrei no
obscuro,
úmido,
baú da solidão.
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